De Paraty a Greve dos Professores

Passados dois dias do encerramento da 9ª Flip (Festa Literária Internacional de Paraty), que este ano homenageou o modernista Oswald de Andrade e agitou os meios intelectuais do país e do mundo, é paradoxal a notícia do confronto ontem (dia 12) entre professores e policiais do Batalhão de Choque do Rio. Os professores, símbolo maior da educação no país, em greve há mais de 30 dias, entraram na sede da Secretaria estadual de Educação, no Centro do Rio, como forma de protesto pelo não atendimento às suas reivindicações por melhores condições de trabalho e aumento salarial.

            O paradoxo reside na baixíssima valorização dos professores num momento em que cultura e educação estão em debate nas principais mídias. Se, por um lado, a Câmara Brasileira do Livro constata que os jovens estão lendo mais (dos 12.000 títulos lançados em 2010, 2.500 foram direcionados ao público infanto-juvenil), por outro, os índices de analfabetismo e principalmente de analfabetismo funcional ainda são muito elevados.

            Estima-se que um a cada quatro brasileiros não consegue ler e interpretar textos, o que significa, segundo Andrea Ramal, comentarista de Educação do Bom Dia Rio, da TV Globo, em recente entrevista, que 75% da população são alheios ao universo da leitura. Sem contar que 14 milhões de pessoas, acima de 15 anos, são totalmente analfabetas.

            Frente a este lamentável cenário, o Projeto Livro de Rua, junto a outras iniciativas semelhantes, pretende, com suas ações voluntárias, plantar sementes na área da educação e cultura, através do incentivo à leitura. O caminho é despertar o gosto pela leitura prazerosa, capaz de estimular a inteligência e a criatividade de jovens e adultos, abrindo portas para o conhecimento. Ao distribuir livros em praças públicas e comunidades desfavorecidas, o projeto faz sua parte.

            Exemplo dos resultados positivos de um ensino de qualidade é a conquista pelo Colégio Municipal João de Deus, na Penha, zona norte do Rio, da maior nota do Estado no Ideb, do primeiro ao quinto ano do ensino fundamental. O segredo? Estímulo à boa leitura.

            É bom ressaltar que, apesar de prognósticos pessimistas, o livro em papel sobrevive a muitos percalços e não se pode afirmar com precisão que se renderá à era da Internet.

            Sugestiva a frase citada pela doutora em Educação Andrea Ramal, durante a entrevista, atribuída a Bill Gates: Meus filhos terão computadores, mas antes terão livros. Do contrário serão incapazes de escrever sua própria história.       

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