Livros que compartilham pessoas

Esse é o trabalho acadêmico, apresentado por Jade Nunes e Natalia Monteiro da Universidade Gama Filho.
 Estamos nas Ruas e nas Universidades, Viva a Leitura!!!

19/07/2012

“Não estou perdido. Eu sou um livro livre”. É com uma frase simples, mas instigante, que o bookcrossing se apresenta. A proposta é deixar seus livros em locais públicos, como em um ponto de ônibus ou em um restaurante, para que outras pessoas possam pegá-los, lê-los, e mais tarde também libertá-los.

O movimento foi criado por Ron Hornbaker, um canadense, em março de 2001. Ron ficou admirado com um site que rastreava câmeras descartáveis perdidas no mundo, e pensou que outro objeto as pessoas gostariam de rastrear. Foi aí que ele se deu conta de algo que já acontecia nos EUA. Diversas pessoas deixavam livros em cafés, hotéis e bares. Mas ninguém sabia onde esses livros iam parar por isso ele resolveu criar um site para rastrear essa trajetória através do cadastro pelo próprio site (link do site). Daí pra frente o bookcrossing foi se espalhando pelo mundo e chegou também ao Brasil.

O primeiro estado no país a adotar um ponto de encontro pra quem quisesse trocar livros foi São Paulo. Hoje são cerca de dez pontos entre bibliotecas e centros culturais. No Rio de Janeiro, apenas um lugar conta como um ponto de encontro. O Lunático Café e Cultura.

Gustavo Falcão, gerente do espaço, conta como o esse local acabou esbarrando no bookcrossing:

-O bookcrossing foi trazido ao Lunático através de uma frequentadora do espaço, que mora aqui no bairro, a Cristina Wolff. Foi ela que falou pra gente da ideia do projeto e explicou como funciona, e ficamos muito empolgados com a ideia de participar dessa rede de compartilhamento de leitura. Topamos na hora, e pretendemos em breve ampliar o espaço destinado ao livro e incluir a divulgação do projeto em nossas mídias virtuais e em nosso site.

Como muitos ainda não conhecem o projeto, esses pontos de encontro muitas vezes servem para a divulgação. As pessoas percebem a pequena estante onde ficam os livros no Lunático e logo querem pegar para folhear. Quando se dão conta, acabam se interessando pelo projeto e logo pegam o livro para lê-lo e depois libertá-lo.

Mas como aqui no Brasil não basta importar, tem que abrasileirar, criou-se uma nova vertente para o movimento. Movimento que dessa vez iria se chamar Livro de Rua. Com uma forte presença em comunidades carentes, o Livro de Rua não conta com o cadastro pelo site, como faz o bookcrossing, apenas com o compromisso de quem pegou um livro em passá-lo adiante.

Pedro Gerolimich, presidente do Instituto Ciclos do Brasil, que leva o projeto adiante, conta que a intenção era democratizar.

– O projeto é baseado no bookcrossing, porém com algumas características diferentes. Apesar do bookcrossing ser um movimento revolucionário ele ficava restrito apenas à classe média. A intenção era que a atividade se tornasse popular, que fosse possível estabelecer um diálogo com quem mora nas comunidades carentes e nem sempre tem acesso à leitura.

O projeto já marca presença em escolas, lanchonetes, lan houses, igrejas, centros comunitários entre outros locais dentro de comunidades como a Rocinha, além de promover oficinas de contação de histórias e troca de livros, como acontece no bairro de Anchieta, para chamar a atenção de mais leitores.

Apesar de a atividade estar se tornando muito conhecida, mais de 20 mil livros já foram arrecadados, quase 90% das doações ainda são de pessoas físicas.

O Livro de Rua já foi para São Paulo e Belo Horizonte e espera ficar ainda mais presente pelo país afora.

Com um projeto original no qual o conceito se mistura ao do bookcrossing, o escritor Pacha Urbano faz livros exclusivos para que sejam deixados ao acaso, como ele mesmo gosta de dizer. O Pequeno Livro ao Acaso, é um livro com frases aleatórias, por vezes irônicas e por vezes reflexivas, com um recorte que não vai deixar você ler de forma linear, além de ser bem colorido.

– O projeto nasceu por acaso mesmo, porque o que eu queria era desenvolver uma maneira barata e prática de publicar os meus microcontos, os Vidas Despercebidas. Comecei procurando por um formato de livro artesanal que pudesse ser feito com o mínimo, sem grampos nem nada. Das 30 frases originais quase todas ficaram, exceto uma ou outra que destoavam do todo. E como usei papéis coloridos de rascunho para elaborar o livro, percebi que chamavam muito mais a atenção assim. No final enxerguei ali um livro-objeto mais interessante do que originalmente tinha pensado.

E se a intenção era fazer o livro circular e alcançar cada vez mais leitores, O Pequeno Livro ao Acaso conseguiu ir longe. Pacha conta que com a ajuda de amigos, traduziu o livro para três idiomas.

– Mandei pelo correio uma pequena trouxinha de livrinhos para o México e Argentina, para amigos que tenho lá, e aos poucos eles foram se espalhando. Aqui no Brasil também já mandei para várias pessoas em outros estados e cidades. No ano passado recebi email de uma garota de Luanda perguntando se eu era de lá e como é que fazia para adquirir outros. Como o livrinho foi parar lá eu não sei, mas fiquei muito contente.

Sobre a iniciativa tanto do seu projeto pessoal quanto do bookcrossing em trabalhar o desapego, Pacha não hesita em afirmar:

-Seja de poesia, de ficção ou técnico, o livro não foi feito para ser armazenado apenas, foi feito para ser lido, e para que possa ser lido por mais pessoas é importante que haja uma circulação dele, ou pelo menos que ele esteja onde outros possam chegar a ele. Se vai ser num banco de praça, na mesa de um restaurante, num provador de loja de roupas, ou numa biblioteca, não importa, é preciso estar ao alcance das pessoas. O que você faz com aqueles livros que você não quer mais? Ou aqueles que você leu e gostou tanto e quer que todos leiam? Passe-o adiante! Sempre fui daqueles que emprestam livros e a maioria deles não volta pra mim. E parei de me aborrecer com isso, porque prefiro que circulem do que fiquem aqui nas minhas prateleiras acumulando poeira. Com o meu projeto espero o mesmo: que passe de mão em mão até se dissolver, mas que seja por ser lido, não por ter sido consumido pelas traças no fundo duma gaveta.

Recado dado.

* Universidade Gama Filho/RJ

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: