Livreiro do Alemão: a história de uma vida transformada pela literatura

Globo Ação – 04/02/13

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Quando era criança, Otávio Cesar Santiago de Souza Junior encontrou um livro em um lixão do Morro do Caracol, no Complexo do Alemão, e desde então a literatura não saiu mais de sua vida. O menino passou a frequentar a Biblioteca Popular da Penha e teve a ideia de levar um pouco daquele universo para o Morro do Caracol. Andando de porta em porta, distribuindo livros e fazendo palestras, Otavio conquistou o respeito da comunidade e hoje, aos 29 anos, é conhecido como ‘O Livreiro do Alemão’. O projeto Ler é 10 – Leia Favela virou um ponto de leitura oficial em 2011, com o apoio da Fundação Biblioteca Nacional e atende cerca de 300 crianças por dia, crianças como Otávio Junior foi um dia, cheias de curiosidade quando pegam um livro.

“A leitura tem um poder transformador, sou prova viva disso. Hoje tenho oportunidades que não teria, caso não fossem os livros. Reformei um antigo bar e lá funciona o Ler é 10, mas continuo com as atividades itinerantes, o Complexo é grande, são mais de 20 comunidades, basta um pequeno espaço para reunir as crianças. Temos mais de 2000 livros, 1000 que chegaram com o kit do ponto de leitura e o restante é doação. Além da Biblioteca Nacional, o projeto conta com a ajuda de escritores, editores, ilustradores, leitores, do instituto Kinder do Brasil e da Associação dos Agentes de Fornecedores de Equipamentos e Insumos para a Indústria Gráfica (AFEIGRAF)”, conta Otávio Junior.

Em 2011, Otávio Junior lançou o livro ‘O Livreiro do Alemão’, contando sua história, e também fez uma participação como ele mesmo, na novela Salve Jorge, da Rede Globo, ambientada no Morro do Alemão. Mas não foi a primeira vez que ele apareceu na TV: em 2006, Otávio ganhou reconhecimento nacional, após participar do quadro Agora ou Nunca, no programa Caldeirão do Huck, onde ganhou um prêmio em dinheiro para estruturar seu projeto. E, em 2008, foi um dos destaques do Prêmio Globo Faz a Diferença (categoria Megazine), organizado pelo jornal O Globo.

“Meu livro fala da experiência como promotor de leitura em zonas periféricas e sobre o desafio de levar a literatura para uma das maiores comunidades do Brasil. Fico feliz por representar a literatura da favela. Hoje já mostram a comunidade no cinema e nas novelas, mas ainda temos pouca visibilidade quando se fala em literatura. Meu sonho é continuar desenvolvendo projetos para divulgar a importância da leitura”, ressalta.

E atualmente Otávio tem um estímulo a mais para continuar seu trabalho: o filho João Vitor, de quatro anos. “Ele já nasceu cercado de livros e adora ouvir histórias”, completa.

Confira o blog de Otávio Júnior, Ler é 10, Leia Favela.

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